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Engenharia e Arquitetura

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A importância dos projetos complementares

Recentemente ocorreu uma tragédia no município de Osasco, onde uma edificação veio a desabar, especula-se que esta residencia não havia um projeto adequado para sua funcionalidade, a conclusão para tal dar-se-á pelas características construtivas.
Toda construção ou reforma, deve passar pela avaliação de um profissional habilitado, tal qual um engenheiro, arquiteto ou técnico de edificações, pois mesmo que o serviço não seja de sua expertise, certamente esse profissional saberá indicar a pessoa correta para devida orientação, entretanto, o que mais vemos, são construções sendo executadas sem acompanhamento de um profissional, sem projetos complementares e em muitas situações, os próprios proprietários são os construtores sem ter o devido conhecimento.
A construção civil por nem sempre exigir uma mão de obra tão qualificada, por ser na maioria das vezes uma atividade com contornos mais artesanais do que um setor industrial, muitas pessoas sentem-se aptas a atuar nela, muitos julgam-na como uma área de execução simplória, onde em muitas ocasiões, profissionais regulamentados são preteridos por executores com a anuencia do proprietário, sob a falsa ilusão de uma economia na obra.
Casos como o ocorrido em Osasco, mostram que uma boa gestão de obra pode evitar certos acidentes, pode evitar problemas e de fato economizar onde realmente é permitido.

Uma edificação, por mais simples que seja, necessita de um projeto norteador, cujo nome é o projeto arquitetonico, este é a base para tudo, pois através dele é que se teremos todos os demais projetos, porém, como as prefeituras exigem apenas o projeto arquitetonico, normalmente os proprietários tendem a “economizar” nos demais projetos, e isso pode ser um tremendo equívoco, pois uma residencia não pode ser executada apenas com o projeto arquitetonico, pois este documento tem objetivo de definir apenas as formas da edificação, mas não tem elementos suficientes que definam a forma de estabilizar essa residencia, não possui informações necessárias para um dimensionamento elétrico, tampouco um dimensionamento hidráulico.

Para que uma edificação tenha garantias de que se sustentará e servirá o seu propósito, ela precisa ser estruturada, e muito bem estruturada, mas não se engane, bem estruturada é infinitamente diferente de superdimensionada, e esse é um problema recorrente em nosso ramo, constantemente vemos estruturas superdimensionadas, que causam um prejuízo financeiro ao construtor ou proprietário (que optou por “economizar” em um projeto estrutural), ou estruturas subdmensionadas (como a de Osasco), e o projeto estrutural vem justamente para suprir essa necessidade, quando é feito uma sondagem do solo, contratado um profissional que execute o projeto das peças estrutuais, a obra contará com uma maior racionalidade, haverá um registro do que foi executado, futuras reformas terão uma documentação que satisfaça seus anseios futuros. O mesmo vale para os demais projetos, qualquer manutenção fica muito mais fácil de ser executada quando se tem um projeto hidraulico ou elétrico, as redes serão identificadas facilmente, o dimensionamento será facilitado e o consumo de material mais racionalizado.

 

Uma obra bem planejada, pode chegar a custar até 40% a menos que uma obra construída sem um plano de ação, se há uma forma de economizar com segurança, essa forma é planejando a construção, quanto mais detalhado forem os projetos, menos surpresa existirão na execução, menor serão os desperdícios e principalmente, as chances de tragédias como a ocorrida em Osasco tendem a diminuir.

 

Jorge Oliveira

Sistemas Construtivos Industrializados

Bem, hoje falarei de alguns sistemas construtivos industrializados, tentarei ao máximo não externar a minha opinião (de certa forma sou suspeito em tecer qualquer opinião sobre, pois sou um arauto das construções industrializadas e mais apaixonado ainda por estruturas metálicas), e só trazer as informações a cerca dos sistemas, tentando sanar as dúvidas que os interessados possam ter.

Para dar uma visão geral do assunto, vamos retroceder um pouco no tempo e viajar um pouco para o continente europeu, pois bem, no período pós segunda guerra, o continente se via devastado, o déficit habitacional em alta, e os governos necessitavam de soluções rápidas e práticas que pudessem acolher os desabrigados em tempo recorde, foi onde a industrialização na construção civil teve seu início, qualificando os métodos construtivos e controle maior da expansão urbana, por intermédio de métodos padronizados.

Essa necessidade trouxe diversos benefícios ao setor, desde o aquecimento econômico a grandes avanços tecnológicos, entretanto, esse avanço ainda não é visto na mesma proporção em território nacional, por diversos motivos, desde a escassez de profissionais capacitados ao preconceito que grassa dentre a população em relação aos métodos menos ortodoxos.

Trabalhar com métodos industrializados é uma tendência do mercado, pois os custos estão cada vez mais competitivos, a qualidade do serviço é superior, rastreabilidade nas etapas conferindo maior segurança ao cliente final, menos desperdício, obra mais organizada, menos uso dos recursos naturais, além da redução nos prazos de entrega. Veja na seqüência alguns dos sistemas industrializados que vem ganhando força no mercado nacional.

 

Light Steel Frame – Esse sistema tem como característica formar um esqueleto estrutural entrelaçado com os perfis metálicos valer-se de elementos de vedação que conferem ao sistema um ótimo desempenho acústico e térmico, essas placas fazem o revestimento da estrutura isolando-a do meio e protegendo-a das intempéries. É uma construção rápida, leve e muito precisa, uma vez que estruturas metálicas trabalham em milímetros, sem contar o nivelamento das paredes, pois essas não necessitam dos processos de uma construção convencional.
Basicamente a estrutura em LSF (Light Steel Frame) é composta pelos perfis que dão a rigidez estrutural e o aspecto monolítico da construção, o isolamento termoacústico, que pode ser usado lã de vidro ou lã de PET, placa OSB, que é um painel constituído tiras prensadas de madeira reflorestada, uma membrana que trabalha como nossa derme, protegendo os demais elementos, placa cimentícia, que é uma placa de massa de cimento e fibras de vidro e por fim a Base Coat, que nada mais é que uma massa impermeabilizante que elimina frestas e funciona como base para qualquer tipo de acabamento convencional.
Vantagem do sistema, rápido, preciso, obra limpa, estrutura leve (economia nas fundações), mas ainda sofre com a resistência popular e um custo que pode ser alto dependendo do tipo de obra e tamanho.

Paredes internas em LSF

 

 

Wood Frame – É o sistema que originou o LSF, porém ao invés de trabalhar com aço, sua base estrutural é a madeira. Todas as características do Steel Frame estão presentes no Wood Frame, as desvantagens em relação ao LSF são no tocante ao custo da matéria prima e durabilidade, pois como a base do Wood Frame é a madeira, esse material deve ser perfeito, e quem conhece de obra sabe que madeiras de boa qualidade são caras no Brasil, isso reflete no custo final da obra, e a durabilidade, embora haja relatos de construções feitas em Wood Frame que perduram mais de séculos, é inegável a resistência ao tempo que o aço tem.

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Residência em Wood Frame

 

Parede de concreto armado – é um sistema industrializado muitíssimo utilizado em programas sociais de residências para populações mais carentes, pois se trata de paredes moldadas no local ou não, que já vem com todos os sistemas elétricos e hidráulicos embutidos e são feitos em grandes escalas, esse sistema é vantajoso pelo baixo custo e pela rapidez, mas tem uma dificuldade de se trabalhar com arquiteturas mais elaboradas.

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Projeto Social executado com paredes de concreto armado

 

Paredes de painéis monolíticos de EPS – paredes e lajes são executadas com painéis de EPS (poliestireno expandido), com reforços de tela de aço e cobertas com concreto projetado, por trabalhar com EPS que é um conhecido e ótimo isolante térmico, esse sistema tem chances de ser o que apresenta melhor desempenho nesse quesito, além de ser também uma estrutura leve (para se ter uma idéia de grandeza, uma alvenaria convencional trabalha com uma carga a parir de 120kgf/m², já esses painéis trabalham na ordem de até 60kgf/m²) aliviando as cargas nas fundações, que do ponto de vista econômico é um ótimo negócio, por ser um painel que trabalha com materiais de características distintas, pode ocorrer de aparecer algumas trincas oriundas das diferenças de comportamento dos materiais frente às variações térmicas.

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Residência construída com paredes em EPS

 

Uma característica em comum nesses sistemas, além da velocidade e organização da logística da obra, é o fato de serem construções monolíticas (explicarei melhor esse tema em outra oportunidade), que facilitam a utilização de radier, acarretando em uma fundação mais econômica em muitos casos.

 

Espero que essas informações tenham sido úteis, se tiverem mais dúvidas entrem em contato e se gostaram, por favor, curtam e compartilhem nossa página no face.

Quando devo usar Treliça Metálica?

Olá, caro leitor!

Eu sou Jorge Oliveira, projetista estrutural,  entusiasta de sistemas construtivos industrializados e um amante das estruturas metálicas. Hoje pretendo trazer a vocês algumas considerações sobre estruturas a partir de Treliças Metálicas.

Certamente você já deve ter escutado que uma viga em treliça metálica é mais econômica que uma em alma cheia, será?

Treliça MetálicaCobertura em Treliça Metálica

Bem, é consenso que uma treliça metálica apresenta um peso reduzido em relação a viga de alma cheia, daí a maioria dos profissionais acreditam que a solução mais econômica é sem dúvida a treliça metálica, mas hoje, quero desmistificar essa “verdade absoluta”.

Bom, é importante que tenhamos em mente alguns pontos a serem esclarecidos em relação a estrutura.

  • A maioria das treliças são fabricadas com perfis de chapa dobrada (em geral Perfil U), obviamente por serem confeccionadas através de chapas, esses perfis são mais leves, entretanto, o custo por quilo desse material, chega ser até 22% maior que de um perfil laminado. Sendo assim, a estrutura treliçada, deverá ser mais leve o suficiente para compensar essa variação no custo de obtenção.
  • No processo de fabricação da viga em treliçada, a quantidade de insumos, o número de operações, são maiores que os custos com a fabricação de uma viga de alma cheia, para o mesmo projeto. Podendo em alguns casos, esse tempo ser o dobro da execução da obtenção de uma viga de perfil laminado.
  • Erros e desperdício de material também é um ponto a ser considerado, uma vez que em muitos casos, as vigas em treliças são componentes estruturais de coberturas, a angulação dos banzos não permitem cortes de montantes e diagonais de mesmo tamanho, ocorrendo erros que podem atrasar o processo e desperdício de materiais.

Alguns autores renomados, tal qual Ildony Hélio Bellei, em seu livro Edifícios industriais em aço, ele defende que vigas de cobertura passam a ser econômicas a partir de 25m de vão livre.

Para mezaninos modulados a cada 6m, trabalhar com vigas treliçadas é mais oneroso, o tempo de fabricação é enorme, muitos insumos são consumidos, por exemplo, em um caso em que se trabalha com ferramentais comuns, pode-se gastar até um quilo de eletrodo por metro de treliça, onerando em demasia a estrutura. Quando se trabalha com vãos livres acima de 9,0m, eu super aconselho a utilização de viga treliçada para mezaninos.

mezaninos treliçadoMezanino treliçado com pilares tubulares.

Espero que essas informações tenham esclarecido algumas dúvidas, se tiverem mais dúvidas entrem em contato e se gostaram, por favor, curtam, compartilhem e entre em contato para maiores informações.